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Just another WordPress.com weblogMulheres em TI
Com as empresas dando ênfase maior às habilidades comportamentais e de negócio, o número de mulheres na área de TI está aumentando
Por Aline Brandão
Em 2003, na matéria Sexo frágil? Que nada!, o TI Master mostrou um pouco da realidade das mulheres que atuam em Tecnologia da Informação. Será que a situação mudou muito nestes quatro anos? Lá fora, nos EUA, os números indicam que sim – mas para pior. De acordo com o Escritório de Estatísticas do Trabalho norte-americano, o número de mulheres atuando em todas as áreas da TI caiu de 23,4% em 2000 para 16,6% em 2006.
E aqui no Brasil? Para a Diretora Executiva da TOPMind, Sandra Maura, as brasileiras se encontram numa realidade bastante positiva. “Acho que as mulheres vêm galgando postos em várias áreas, não só em TI. Hoje elas têm aceitação total na área, acredito que até ganhem prioridade em certos casos. Há alguns anos, eu tinha mais clientes reclamando que os banheiros masculinos das empresas estavam congestionados – afirma, rindo.
A Microsoft Student Partner Melissa Ferreira também acredita que o mercado está oferecendo mais oportunidades para as garotas. Em compensação, os números ainda parecem um tanto desanimadores: “Dentre os 151 MSPs no Brasil, em torno de dez são mulheres. Nos outros países a proporção é parecida – diz.
Ser mulher até ajuda
Melissa afirma, no entanto, que o preconceito diminuiu bastante. Tanto é que ela não passou por nenhuma situação constrangedora no Encontro Nacional de Student Partners em setembro. “Era engraçado ver tantos homens e tão poucas mulheres, mas as experiências trocadas no Encontro foram maravilhosas. Ser mulher até ajuda um pouco, as pessoas te escutam mais – explica.
A especialista em ERP e CRM Vera Robles já tem 15 anos de estrada em TI. Quando começou na área de treinamentos, com uma atuação mais técnica, havia cerca de cinco mulheres para cada cem homens. Hoje, Vera acha que a situação está melhor, graças a uma profissionalização maior do mercado de TI brasileiro.
“Quando eu comecei, as empresas ainda não eram muito profissionais. Há dez anos, começava-se a trabalhar a Lei de Informática; nos últimos cinco, tivemos que nos ajustar à globalização. O número de profissionais de TI aumentou muito – diz.
Habilidades “femininas”
Um fator que pode estar impulsionando a entrada das mulheres nesse mercado de trabalho é o interesse cada vez maior das empresas por profissionais que vão além dos aspectos técnicos. Algumas das habilidades exigidas no perfil deste novo profissional, como capacidade de negociação, são mais comumente associadas às moças.
“Em situações de negociação, as mulheres ganham total destaque, pela habilidade de ouvirem primeiro e falarem depois. Não que os homens não saibam fazer isso, mas entre mulheres é mais comum. Elas têm um comportamento mais diplomático, mais conciliador – afirma Sandra Maura.
E a famosa “dupla jornada” a que elas vêm se submetendo há décadas – sendo responsáveis pelas tarefas domésticas e trabalhando fora – também pode ajudar na hora de garantir um emprego. Segundo Vera Robles, esse dia-a-dia historicamente diferente do masculino fez com que as mulheres se tornassem mais organizadas, além de não abrirem mão de um espaço para a qualidade de vida.
“Acho que essa maior organização é uma grande vantagem para os postos de gestão e liderança. Além disso, as mulheres levam mais em consideração a qualidade de vida, o que é saudável: você vê mais executivas que, depois de um certo tempo, abrem mão de algumas horas de trabalho para se dedicarem a outras atividades. Para os homens isso é mais difícil, até pela pressão social, mas acredito que eles também estejam tentando seguir essa tendência – explica.
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